Tv Interativa
Comemoração

O que podemos aprender com o Dia Nacional da Consciência Negra?

O Dia Nacional da Consciência Negra é marcado por várias manifestações culturais, lembranças de personalidades importantes e representatividade cultural

20/11/2019 10h34Atualizado há 2 meses
Por: Redação Interativa
Fonte: ES Brasil
81
Mulheres negras representando o Dia da Consciência Negra. - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Mulheres negras representando o Dia da Consciência Negra. - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Muitos foram os avanços que a classe negra teve ao longo do tempo. Desde a formação dos quilombos até as manifestações culturais que hoje acompanhamos na sociedade e pela mídia. Mas até hoje, os negros sofrem com a desigualdade social.

Pesquisa divulgada no dia 13 de novembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou que as desigualdades entre brancos e negros no Espírito Santo permanecem em vários aspectos.

O Dia da Consciência Negra foi estabelecido pelo Projeto de Lei nº 10.639, no dia 09 de janeiro de 2003. Mas apenas em 2011 a presidente Dilma Roussef sancionou a Lei nº 12.519/2011 que institui a data, sem obrigatoriedade de feriado.

Nas proximidades da Praça 11, entre as pistas da Avenida Presidente Vargas, no Rio de janeiro, está o Monumento Zumbi dos Palmares, símbolo da resistência negra à escravidão. – Foto: Reprodução

A data faz referência a Zumbi de Palmares, líder do Quilombo de Palmares, localizado em Alagoas durante o período de escravização. Contudo, é celebrada pelos movimentos negros, fazendo parte do calendário escolar das redes de ensino, grupos culturais, e a cada ano ganha mais espaço em lugares públicos e privados.

Segundo a historiadora e mestre em Ciências Sociais da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Renata Beatriz, a data foi lançada por um grupo de negros, o Movimento Negro Unificado, em 1978, pois não eram aceitos em clubes da cidade de Porto Alegre. E ganhou impulso com a Marcha Nacional Zumbi dos Palmares que ocorreu no ano de 1993.

Renata afirma que a data reconhece a importância histórica de uma personagem negra identificada a partir da resistência.

“A data surge para visibilizar personagens negros como impulsionadores na História do Brasil. É fundamental o reconhecimento do legado do negro na sociedade, assim somos capazes de jogar luz sobre o presente e projetar novas trajetórias de famílias negras despertando nos negros e brancos a consciência negra”, diz a historiadora.

De acordo com o parecer da Lei nº 10.639, que instituiu o ensino de História e Cultura Afro-brasileira nas escolas de todo o país, Renata afirma que “ainda que não seja feriado, a data é reconhecida em muitos estados por homens e mulheres negros e negras e vivenciada como dia de reflexão, luta e celebração do legado da população negra no país”.

Zumbi de Palmares

Considerado um dos maiores líderes da resistência negra à escravidão na época do Brasil Colonial, Zumbi dos Palmares foi líder do Quilombo dos Palmares, comunidade livre formada por escravos fugitivos das fazendas.

Nascido em 1655, em Alagoas, Pernambuco, incentivava a comunidade a viver livre, de acordo com sua cultura, produzindo tudo o que precisavam para viver.

O Quilombo dos Palmares foi um dos maiores centros de resistência à escravidão e hoje é lembrado no Dia Nacional da Consciência Negra. – Foto: Reprodução

Renata Beatriz destaca que a relação entre Zumbi e o Dia da Nacional da Consciência Negra vem no sentido de reconhecer a importância histórica de um personagem negro identificada a partir da resistência.

“Visibilizar personagens negros como formadoras na História do Brasil é fundamental para reconhecimento do legado do negro na sociedade, assim somos capazes de jogar luz sobre o presente e projetar novas trajetórias de famílias negras despertando nos negros e brancos a consciência negra”, observa ela.

Arte

A resistência à escravidão não foi apenas uma forma de fuga da condição de cativo dos domínios dos senhores escravagistas e, sim, uma forma de fazer resistir à cultura, ancestralidade, religião e outros costumes herdados desde à África, conforme explica o historiador Vinicius Vivaldi.

“Hoje os movimentos negros buscam ser valorizados, aceitos e reconhecidos, lutando e resistindo contra preconceitos e descriminação encriptadas em nossa sociedade desde a construção da ideia história e etnocentista da superioridade europeia”, ressalta Vivaldi.

Atualmente, surgem mais movimentos, grupos e pessoas engajadas em mostrar que há mais de um século essas pessoas estão à frente da luta pela igualdade racial, seja por meio da música, como o Hip Hop, da pintura, como o grafite, entre outros.

O grafite é uma das formas de expressão da cultura negra. – Foto: Divulgação

Artistas também defendem esse pensamento. O cineasta, escritor, produtor e ator estadunidense, Spike Lee, é um deles. Envolvido em causas negras, lançando filmes com a temática, como “Malcom X” e “Faça a Coisa Certa, recentemente participar de uma sessão do documentário Democracia em Vertigem, da brasileira Petra Costa, no Museu de Arte Moderna, em Nova Iorque, e fez um questionamento em suas mídias sociais.

Petra Costa ?@petracostal
 

“Esse filme nos dá um outro olhar sobre a escalada do fascismo. Não é só aqui, é global." Disse Spike Lee ao apresentar o nosso “Democracia em Vertigem” para uma sessão do filme no Museu de Arte Moderna em Nova York.

Vídeo incorporado
1.006 pessoas estão falando sobre isso

Lee gravou um vídeo em que pergunta: “quem mandou matar Marielle Franco”? Após a divulgação do vídeo, que teve muitas curtidas, o diretor demonstrou total apoio à causa e deu sua opinião sobre o filme.

“Esse filme nos dá outro olhar sobre a escalada do fascismo. Não é só aqui, é global”, avalia Spike Lee.

Capital do ES

Nesta quarta-feira (20) será realizada a transferência simbólica da capital do Espírito Santo para o município de São Mateus. O ato é previsto pela lei estadual nº 8.790, de 2007 e faz parte da programação da Secretaria de Direitos Humanos (SEDH) para o Novembro Negro. Saiba mais aqui!

A solenidade terá início às 10h no Palácio Municipal, no Centro de São Mateus, e contará com a participação da vice-governadora Jaqueline Moraes.

 

Durante o evento, que tem a entrada gratuita, a Gerência de Igualdade Racial (Gepir) da SEDH promove uma roda de conversa com lideranças quilombolas às 13h30, e mais duas palestras: uma sobre “Estética e Moda Afro”, com a designer de moda Pandora Luz, às 14h30, e outra com o tema “Questões étnico-raciais nas Escolas Municipais”, com o militante do Movimento Negro, Samuel Pinheiro, às 16h. A programação também conta com apresentações culturais.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas.