Tv Interativa
Tv Interativa
Guerra

Mísseis na fronteira aumentam tensão entre Venezuela e Colômbia

Evitar conflito é fundamental, até para acelerar a inevitável queda da cleptocracia de Maduro Editorial

07/09/2019 20h54Atualizado há 2 meses
Por: Redação Interativa
Fonte: Estadão
72
Foto Reprodução
Foto Reprodução

Aumenta a tensão entre Colômbia e Venezuela. Na quarta-feira, o ditador venezuelano Nicolás Maduro anunciou envio de tropas à fronteira dos dois países, que tem 2,1 mil quilômetros: “Vamos realizar manobras de 10 a 28 de setembro”, disse. E, naturalmente, culpou o presidente colombiano: “Iván Duque levou a Colômbia uma uma situação de guerra novamente”.

Seria apenas mais uma bravata de um ditador percebido como pária, se ele não tivesse acrescentado uma novidade: a decisão de deslocar para a fronteira baterias de mísseis antiaéreos russos (tipo S-300), armamento sofisticado testado na Síria.

 

O chanceler colombiano Carlos Holmes Trujillo reagiu cáustico, afirmando que o regime de cleptocratas da Venezuela se transformou numa ameaça ao seu país e “à estabilidade de toda a região”, invocando países vizinhos à cooperação. O presidente Duque optou por um tom mais moderado, e sarcástico: “Em vez de gastar tanto dinheiro com mísseis, ele deveria proteger o povo, dando-lhe comida”. Na luta pela subsistência, mais de 2 milhões de venezuelanos migraram para a Colômbia.

Manobras militares não necessariamente constituem ameaça. Além disso, há um histórico de eventos que desacreditam Maduro, um ditador folclórico, que diz manter o hábito de dormir ao lado do jazigo do coronel Hugo Chávez para “receber conselhos”, além de conversar com passarinhos.

O que parece ter motivado preocupação real no governo colombiano foi o anúncio, incomum, da ordem para deslocamento de mísseis balísticos à linha de fronteira. Em 2012, a Venezuela comprou três conjuntos da Rússia, na versão de médio alcance (200 quilômetros), ao preço de US$ 115 milhões. Cada bateria é composta por seis veículos lançadores, cada um com quatro sistemas de mísseis (tipo 9M82M, a cerca de US$ 1 milhão cada).

É equipamento caro, de manutenção dispendiosa, ponto fora da curva do equilíbrio militar regional. E é absolutamente incompatível com o quadro de crise humanitária a que a ditadura submeteu 32 milhões de venezuelanos — 64% da população perdeu em média 11 quilos de peso durante o ano passado, por absoluta insuficiência alimentar, segundo pesquisa recente da Universidade Central da Venezuela.

Os tambores de guerra em Caracas devem ser detidos pela pressão diplomática internacional, que tem se mostrado eficaz no isolamento do regime. Evitar conflito é imperativo, até para acelerar a inevitável queda da cleptocracia chefiada pelo delirante ditador Maduro.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas.