Porque os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor? A pergunta, tema de um famoso livro escrito por Allan e Barbara Pease, pode ter diferentes interpretações e até mudanças de contexto. Na obra, os autores conciliam as diferenças entre os sexos e colocam situações divertidas para esclarecer as diferenças entre o homem e a mulher, onde todos tentam igualar os sexos, mas se mostram completamente diferentes. Na prática, esse paradigma já ficou para trás há alguns anos graças a autonomia cada vez mais crescente do sexo feminino.
Embora esse conceito de que as mulheres se envolvam em relacionamentos sempre esperando por algo mais seja bem maior, existem muitas que fogem a “regra” e acreditam que sexo pode vir sem compromisso. É no que acredita a professora Ana Paula, de 26 anos. “Sexo, desde o início dos tempos, foi sempre visto como sujo, feio, algo que não se comentava ou mesmo discutia [...] Acho que hoje o pensamento está muito mudado e é possível, sim, a mulher fazer sexo só pelo prazer do ato em si, afinal precisamos também saciar nossos desejos – algo que foi reprimido durante muito tempo. Isso já é real e palpável, a mulher moderna consegue separar sexo de amor, mas claro um sexo seguro e sadio”, opinou.
O sexólogo e terapeuta sexual Luiz Roberto Xavier concorda com a jovem quando ela diz que a mulher tem tantas necessidades sexuais quanto o homem e o mesmo direito de saciá-las. “Isso foi reprimido por muitas décadas. A mulher não podia demonstrar seus desejos, seus sentimos. De alguns anos para cá as coisas mudaram. Elas têm necessidade de se sentirem desejadas e fazer sexo sem sentir culpa”, disse.
“Percebo que é bem natural nos dias de hoje a mulher que ainda se apega a conceitos de sexo só com amor. Acredito que ela fica limitada e acaba por deixar de realizar-se sexualmente por mero tabu e preconceito, pensamentos esses frutos de resquícios de uma sociedade machista e arcaica”, observou Ana Paula.
A revolução da sociedade trouxe a liberdade sexual e deixou-se de ter medo de se fazer sexo. Tudo está mais livre e existe a preocupação com o prazer sexual. “Hoje a mulher é independente em todos os sentidos. Quando ela busca um homem, não pensa apenas em alguém que lhe dará proteção, casa e filhos. Para isso ela pode trabalhar, conquistar e, se desejar, fazer uma reprodução assistida. Ela está mais exigente e procura quem lhe dará amor, prazer e a respeitará em qualquer situação, principalmente na cama”, explicou o sexólogo.
Mesmo o homem insistindo em acreditar que a mulher é o “sexo frágil”, a ala feminina mostra-se cada vez mais forte e independente. Sexo com amor, sim. Mas também sem compromisso, porque não?!

