Sexo virtual virou tendência no relacionamento humano e, só nos Estados Unidos, pesquisas revelam que dois milhões de pessoas já trocaram o carnal pelo virtual. E nós brasileiros não ficamos muito atrás da realidade americana.
Não existe um número exato de pessoas que aderiram à prática no Brasil, porém, uma pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que 72% dos adeptos são homens. O Ministério da Saúde também buscou conhecer este perfil de público por meio da “Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas” e detalhe: a maioria é jovem à procura de sexo em salas de bate-papo. Em números, entre a população de 15 a 24 anos, 10,5% afirmam ter mantido relações sexuais com “amigos virtuais”. Para os entrevistados entre 24 e 49 anos de idade, este índice cai para 5,4%, e para 1,7% entre as pessoas com 50 a 64 anos. O levantamento foi feito com oito mil pessoas, que tinham entre 15 e 64 anos de idade, de todas as regiões do País.
Existe prazer?
Quem já praticou afirma que sim! A contabilista Cristina*, de 32 anos, conheceu um rapaz pela Internet há oito anos. “Eu sou de São Paulo e ele era do Rio de Janeiro. Assim que nos conhecemos pela Internet marcamos um encontro. Como iríamos nos ver apenas em dois meses, as conversas pelo telefone começaram a ficar mais quentes e rolou”, relembrou.
Ela recorda que não tinha o hábito de se masturbar e estranhou a primeira vez. Depois, ganhou confiança e se sentiu mais a vontade. “O telefone ‘denunciava’ muito o que estávamos fazendo, por isso migramos para a Internet. Naquela época não era tão fácil usar a webcam e o sexo ficava por conta da criatividade”, explicou.
Sobre a continuidade da prática, a contabilista conta que é muito raro acontecer e quando faz, ganha um tom de fetiche. “Hoje namoro um rapaz na mesma cidade e estamos juntos todo final de semana. Quando a gente inventa de fazer sexo virtual é para nos divertirmos e matar a saudade no meio da semana”, contou.
Fuga da realidade
O ato traz prazer, mas sua rotina pode se transformar em uma espécie de doença. É o que afirma o sexólogo Luiz Roberto Xavier. “Existem mais perdas do que ganhos e muitos relacionamentos chegaram ao fim por conta da traição virtual”, disse. O grande problema está na compulsão e na fuga da realidade. “Na Internet é possível fantasiar, você pode ser o que quiser e ainda se sentir poderoso, mas quando o indivíduo percebe, não consegue mais se relacionar pessoalmente”, advertiu.
Entre as explicações para esta fuga do sexo carnal para o virtual está a dificuldade nos relacionamentos, tão presente na vida moderna. Outro fato, segundo o sexólogo, se deve a ansiedade que leva a extravasar a fantasia para as salas de bate-papo e programas de mensagens instantâneas. “Depois da invenção da Internet esta modalidade virou tendência. É como uma fuga, e vicia mesmo”, concluiu.
O que pensam os brasileiros?
19% consideram traição fazer sexo virtual
Dos internautas que já acessaram sites de sexo virtual, 72% são homens
93% deles se masturbam enquanto fazem sexo virtual
Fonte: Centro de Estudos e Pesquisas em Comportamento e Sexualidade, IBGE.
