Alguns beijos mais prolongados, mãos “bobas” cada vez mais atrevidas e aquele friozinho gostoso no estômago. Não dá para criar uma regra para a primeira vez, já que existem muitos mitos em relação a sexualidade, mas hoje é possível sim transformar o momento mais aguardado por muita gente (a grande maioria formada por jovens) em algo inesquecível, digno de boas lembranças no futuro.
Anderson* tem 28 anos e perdeu a virgindade aos 16, depois de se esbaldar numa festa com os amigos. A ansiedade pelo momento “ápice” de sua adolescência foi camuflada pela bebida exagerada e a primeira transa não atingiu todas as suas expectativas. “Eu não planejei, simplesmente aconteceu. Eu estava com a menina e a oportunidade surgiu. Se soubesse que a minha primeira vez seria naquele dia, teria maneirado na bebida e aproveitado mais”, lembrou.
Esta história se repete mais do que se imagina. Os hormônios femininos e masculinos são intensificados pelo abuso do álcool e, o que era para ser um momento inesquecível com boas recordações, acaba se transformando em memórias nem sempre tão desejadas, principalmente porque na hora da animação a camisinha pode não participar e o resultado ser uma gravidez indesejada. É neste momento que acaba um mito: “Para ficar grávida basta estar fértil e pode ocorrer sim na primeira transa”, explica o sexólogo Luiz Roberto Xavier.
Além dela existe o risco do contágio das DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis) e, por incrível que pareça, muitos jovens ainda têm em mente que o vírus HIV, responsável pela Aids, é exclusivo do mundo gay. Outro fundamento errôneo é a ausência de camisinhas na bolsa das meninas. O motivo do “descuido” é a suposta promiscuidade da jovem pelo simples fato de ter o item. “Essa mentalidade é mais comum do que se imagina e a prova está nos contatos que eu tenho com as minhas pacientes”, confirmou o sexólogo.
Vamos dialogar?
O pudor em tratar de sexo em casa e o conservadorismo que muitas famílias ainda carregam deixam marcas na vida dos filhos. Pesquisas indicam que o diálogo pode adiar a primeira relação em até dois anos. O início da vida sexual é mais precoce atualmente, fato consumado pelo acesso fácil à pornografia na internet e a banalização das relações nos programas de televisão. “O diálogo tende a deixar o jovem mais orientado e a primeira relação pode acontecer de forma sadia”, explicou Xavier.
É o caso de Gabriela* que namorou por quatro anos, mas só depois de dois anos de relacionamento é que decidiu “avançar”. Para ela este tempo de espera foi importante para o amadurecimento do casal e a certeza de que era realmente o que queria. “Tínhamos 17 anos e, tanto eu quanto meu namorado, éramos virgens. Naquela época o assunto ‘sexo’ não era tão aberto como hoje e esperar não foi tão ruim. Quando aconteceu foi ótimo e tenho boas lembranças”, contou a esteticista, hoje com 29 anos.
Xavier explica que a educação sexual é mais ampla hoje em dia, principalmente nas escolas e nas campanhas do governo. Porém, falta orientação de como colocar em prática tais informações. Há ainda o fato da banalização do sexo, que deve ser encarado também na questão afetiva, no conhecimento dos corpos. “Sexo verbal, por exemplo, é muito importante. Os pais também precisam se tornar mais acessíveis para falar com os filhos sobre o assunto. É preciso se permitir e encarar a realidade da sexualidade precoce, tão presente na juventude atual”, finalizou.
*A pedido dos entrevistados, os sobrenomes foram retirados.

